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O futuro é feminino

Dos 195 países independentes do planeta, apenas 9% são comandados por elas. Entretanto, o mundo está percebendo que a bipolaridade homem x mulher impede o progresso no século 21.


Thalita Matta Machado

As mulheres representam 49,5% da população mundial. Porém, dos 195 países independentes do planeta, apenas 9% são comandados por elas. Entre as equipes diretoras das 500 empresas de maior faturamento dos Estados Unidos, 4% são compostas por mulheres. Na América Latina, 1,8% das empresas têm uma diretora-executiva. E na tecnologia, o cenário é o mesmo. Há somente 24% de presença feminina nos quadros da Microsoft; 30%, nos da Apple e da Google; e 31%, nos do Facebook. Mas não se iluda. O mindset responsável pelo progresso no século 21 é feminino.

Publicado por John Gerzema e Michael D´Antônio, o livro The Athena Doctrine: How Women (and the Men Who Think Like Them) Will Rule the Future apresenta os resultados de mais de dois anos de pesquisa em 13 países, incluindo o Brasil, e conclui: os valores femininos estão em ascensão. Ao todo, 64 mil pessoas foram entrevistadas e participaram de pesquisas sobre o tema. Os dados apontaram que a maioria está insatisfeita com a conduta dos homens em seus países, especialmente a Geração Y, e consideraram que o pensamento bipolarizado de homem x mulher limita o potencial de progresso no futuro. Também mostraram que dois terços dos entrevistados sentem que o mundo seria um lugar melhor se os homens pensassem mais como as mulheres.

A Wevolve, agência de pesquisa e design da Finlândia, em parceria com o evento Women in Tech, apontou quatro cenários para a evolução do setor de TI, e adivinhem: em todos, há predominância feminina. Ao identificar as oportunidades futuras de desenvolvimento das empresas de tecnologia, os resultados previram a direção dos negócios sendo feita por organizações com perfil feminino e, consequentemente, mais mulheres na liderança. “Homens e mulheres lideram de formas diferentes. Temos mais empatia pelo outro e atuamos de maneira holística, mais integrada”, afirma Claudia de Melo, CTO da ThoughtWorks (TW) no Brasil. Apesar de as mulheres somarem apenas um quarto do contingente de funcionários em todo o planeta, na TW, 50% das lideranças são delas.

Para Cláudia, ter mais mulheres na equipe e nas lideranças das grandes corporações simplesmente faz bem para os negócios. Ela prevê que muito em breve viveremos a era da economia digital, em que não será mais possível distinguir se uma empresa é ou não da área de TI, porque a tecnologia estará no core de todos os negócios. “Na economia, as mulheres são as grandes consumidoras, por atuarem como tomadoras de decisão do que é ou não adquirido na rotina da casa e por garantirem a qualidade de vida da família. Nada mais natural do que entendê-las e, mais do que isso, trazê-las para perto dos negócios, formando equipes que realmente saibam como chegar até elas”, explica.

Mas, para isso acontecer, as mulheres precisam estar mais presentes. O curioso é que, nos primórdios da computação, havia uma forte presença feminina. A primeira programadora da história foi Ada Lovelace, no século 19. E o termo computador foi criado a partir das “computadoras”, como eram chamadas as mulheres responsáveis pela programação do primeiro computador digital eletrônico de grande escala, o Eniac. Também foram precursoras do Wireless e da linguagem COBOL. Estiveram presentes no time que desenvolveu o primeiro Machintosh, atuando ativamente na criação da famosa interface amigável que colocou a Apple no topo do mundo.

À medida que a TI evoluiu e se tornou um negócio cada vez mais rentável, começou a atrair, cada vez mais, o interesse masculino para o desenvolvimento de softwares. Aos poucos, o ambiente foi se masculinizando e, consequentemente, tornando-se mais hostil para as mulheres. O artigo What Silicon Valley thinks of women, publicado pela Newsweek em janeiro deste ano, causou polêmica ao destacar a cultura machista do setor, passando por situações de discriminação de gênero e assédio moral e sexual. “O Vale do Silício nunca produziu uma versão feminina de Gates, Zuckerberg ou Kalanick”, alfineta a publicação.

Confira a continuação da reportagem em nossa próxima publicação no portal!

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